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Albatros (07/10/2006) - foto Dejalme Vargas
Numa altura em que os Açores começam a despertar para uma realidade, cada vez mais notória, que é a do incremento da procura do turismo de cruzeiro nas mais diversas partes do mundo, importa reflectir um pouco sobre esta temática, e a forma como está a ser tratada pelo poder regional.
Tendo como certeza, que a nossa posição geográfica, demasiado afastada dos mercados tradicionais dessa actividade, não nos permite sonhar em transformar a região num destino próprio, todavia, se conseguirmos colocar os Açores em escala obrigatória entre os continentes europeu e americano, já seria um grande feito.
Para tal ser uma realidade, há que criar as condições portuárias indispensáveis nos melhores portos da região.
E é exactamente aqui que surge a grande questão.
Será normal para uma região, ou mesmo país, quando realiza a sua promoção nas feiras internacionais do turismo de cruzeiro, tentar “esconder” , por assim dizer, o melhor que tem para oferecer?
Não é de todo aceitável, mas é infelizmente o que tem vindo a acontecer, concentrando essa publicidade em grande parte nas Portas do Mar em Ponta Delgada, obra emblemática não prometida, mas projectada e concluída em tempo recorde.
Mas será que alguém tem dúvidas de que a baía da Horta e seu porto, oferecem condições únicas de enquadramento paisagístico de uma beleza apreciável, não só na região mas no país como um todo, isto para não ir mais longe?
Em jeito de brincadeira “séria”, já afirmei publicamente, aquando da realização no Hotel Canal do debate sobre o futuro do Porto da Horta, de que os turistas dos barcos de cruzeiro, não necessitam de sair de bordo para ficarem maravilhados com o que vêm.
De um lado, a nossa pequena mas bela cidade presépio, e do outro, a majestosa montanha do Pico, na mais completa harmonia e beleza natural.
Ignorar esta realidade, ou é um problema de falta de vista, ou é mesmo má vontade e os superiores interesses de alguns a prevalecerem.
Em jeito de sugestão, porque não colocar um outdoor com a nossa cidade baía vista do mar junto do certame das feiras onde os Açores participam a promover essa actividade? Seria interessante verificar as reacções.
Não me parece que as autoridades regionais o queiram fazer, mas as forças locais, nomeadamente a Câmara do Comércio e Câmara Municipal, porque não o fazem?
E se nos vierem com a conversa da falta de dimensão, podemos afirmar que existem muitas ilhas com as nossas características, e que são amplamente visitadas.
Trata-se de uma questão de beleza, não de tamanho.
Ficamos à espera do desenrolar das obras de requalificação do nosso magnífico porto, rezando para que entre as diversas fases de execução previstas não surjam intervalos castradores, que nesta ilha parecem ser uma fatalidade que nos toca demasiadas vezes.
Uma coisa é certa, se não forem os faialenses a lutar pelo desenvolvimento da sua terra, de fora não virá voluntariamente grande coisa.
Veja-se o emblemático caso do aeroporto.
Horta, 31/05/09
Francisco Espínola