sexta-feira, 11 de julho de 2008

540 ANOS DEPOIS

DESEMBARQUE DA SEGUNDA LEVA DE POVOADORES EM 1468






"Eu, o Duque, etc. A quantos esta carta virem, faço saber que por Jos de Utra Cavaleiro da minha casa me foi mostrada uma carta assinada pelo Senhor Infante D.Fernando, meu muito amado e presado pai que Santa Glória haja, da qual o teor tal é:
«Parecendo-me haver aso de sua boa pás e concordia entre Jos de Utra, de uma parte e da outra, os flamengos que ora estão na minha Ilha do Faial, que os ditos flamengos tenham o mando e governança de Jos de Utra, natural de Flandres, que é tal que será disso merecedor que o fará como a mim mesmo e proveito de meus direitos e boa governança da terra da dita Ilha e goso dos moradores dela, da qual cousa querendo-lhe fazer graça e mercê e tenho por bem e o dou por Capitão da dita minha Ilha do Faial assim e pela mesma guisa que os capitães de outra minhas Ilhas, o qual me prás e mando e tenho por bem e a mim prás obedeção assim como á minha pessoa mesmo e mando que os povoadores e naturais da dita minha Ilha do Faial cumpram em tudo o que o dito Jos de Utra Capitão mandar e ordenar segundo o poder que lhe para isso dou e os outros meus capitães têem em tal guisa que tudo se conserve e faça bem e como devem e a dita Capitania lhe dou para filhos e netos e descendentes por linha direita e masculina, que haja, tenha e possua sendo ele aquele que deve e verdadeiro vassalo de El-Rei meu senhor e meu, comtanto que ele dito Jos de Utra viva na dita Ilha e esteja nela continuadamente assim como vivem e estão nas outras minha Ilhas os outros meus Capitães e ele dito Jos de Utra haverá para si de todo o dizimo que houver das novidades que Deus der na dita minha Ilha do Faial, a redizima somente, a qual receberá por mão do meu almoxarife e escrivão em tal guisa que se faça tudo direitamente e como deve e para maior formidom disso lhe mandei dar esta minha carta assinada de meu sinal e selo das minhas armas, a qual a mim prás que lhe seja guardada com a honra e clausulas em ela conteudas, empero que assim é minha mercê.
Feita na minha Vila de Tomar a vinte e um dias do mês de Fevereiro. Alvaro Diniz de Frielas a fez, ano de mil quatrocentos sessenta e oito. "



Nota - texto retirado dos "Anais do Município da Horta" de Marcelino Lima

6 comentários:

Cantinho da Hakathi disse...

Fotos lindas que nos remetem ao passado.

Laurus nobilis disse...

Hei-de voltar com tempo! Os Açores não são somente umas ilhas... são uma espécie de doença que nos ataca a partir do momento que lá vamos a primeira vez...

Nilson Barcelli disse...

Um belo momento de História, bem sublinhado pelas fotos.

Boa semana, abraço.

Paulo Pereira disse...

Belo post. A caravela parece ter estado em serviço no canal ainda até à pouco tempo. Acho semelhanças com os barcos de carga do Pico. Gente de coragem...

Mello disse...

Parabéns, você organizou um verdadeiro registo histórico.
Bom trabalho e obrigada!

Lc disse...

Obrigado a todos pelos comentários, foi sem dúvida um momento marcante esta recriação.