domingo, 31 de maio de 2009

PORTOS DE CRUZEIRO E PUBLICIDADE ENGANOSA

Albatros (07/10/2006) - foto Dejalme Vargas

Numa altura em que os Açores começam a despertar para uma realidade, cada vez mais notória, que é a do incremento da procura do turismo de cruzeiro nas mais diversas partes do mundo, importa reflectir um pouco sobre esta temática, e a forma como está a ser tratada pelo poder regional.

Tendo como certeza, que a nossa posição geográfica, demasiado afastada dos mercados tradicionais dessa actividade, não nos permite sonhar em transformar a região num destino próprio, todavia, se conseguirmos colocar os Açores em escala obrigatória entre os continentes europeu e americano, já seria um grande feito.

Para tal ser uma realidade, há que criar as condições portuárias indispensáveis nos melhores portos da região.
E é exactamente aqui que surge a grande questão.

Será normal para uma região, ou mesmo país, quando realiza a sua promoção nas feiras internacionais do turismo de cruzeiro, tentar “esconder” , por assim dizer, o melhor que tem para oferecer?

Não é de todo aceitável, mas é infelizmente o que tem vindo a acontecer, concentrando essa publicidade em grande parte nas Portas do Mar em Ponta Delgada, obra emblemática não prometida, mas projectada e concluída em tempo recorde.
Mas será que alguém tem dúvidas de que a baía da Horta e seu porto, oferecem condições únicas de enquadramento paisagístico de uma beleza apreciável, não só na região mas no país como um todo, isto para não ir mais longe?

Em jeito de brincadeira “séria”, já afirmei publicamente, aquando da realização no Hotel Canal do debate sobre o futuro do Porto da Horta, de que os turistas dos barcos de cruzeiro, não necessitam de sair de bordo para ficarem maravilhados com o que vêm.
De um lado, a nossa pequena mas bela cidade presépio, e do outro, a majestosa montanha do Pico, na mais completa harmonia e beleza natural.

Ignorar esta realidade, ou é um problema de falta de vista, ou é mesmo má vontade e os superiores interesses de alguns a prevalecerem.
Em jeito de sugestão, porque não colocar um outdoor com a nossa cidade baía vista do mar junto do certame das feiras onde os Açores participam a promover essa actividade? Seria interessante verificar as reacções.

Não me parece que as autoridades regionais o queiram fazer, mas as forças locais, nomeadamente a Câmara do Comércio e Câmara Municipal, porque não o fazem?
E se nos vierem com a conversa da falta de dimensão, podemos afirmar que existem muitas ilhas com as nossas características, e que são amplamente visitadas.
Trata-se de uma questão de beleza, não de tamanho.

Ficamos à espera do desenrolar das obras de requalificação do nosso magnífico porto, rezando para que entre as diversas fases de execução previstas não surjam intervalos castradores, que nesta ilha parecem ser uma fatalidade que nos toca demasiadas vezes.
Uma coisa é certa, se não forem os faialenses a lutar pelo desenvolvimento da sua terra, de fora não virá voluntariamente grande coisa.
Veja-se o emblemático caso do aeroporto.

Horta, 31/05/09
Francisco Espínola

4 comentários:

Caterina disse...

Mi piace molto il tuo localpatriotismo. La tua terra lo merita. Sembra buona idea quella delle crociere. Di sicuro verrebbero piú turisti e non se ne pentirebbero . Horta é una meraviglia!
Bacini:
Kati

Nadir Maria disse...

Só por fotos é que "conheço" os Açores.
Este ano ia prescindir dos meus dias de praia, que é a coisa que mais gosto nesta vida, mas depois da operação, não vou ter oportunidade.
A m/filha trabalha em turismo.
Já lhe tinha perguntado se havia cruzeiros que visitassem as ilhas, mas as 9.
Somos um país que nem sabe aproveitar as belezas naturais que temos.
Veja-se o que os espanhóis fizeram nas Canárias e não têm água.
Um roteiro de visitas à diversas ilhas, penso que teria viabilidade, mesmo que no início fossem só portugueses.
Não sei as possibilidades de oferta de dormidas, mas era escolher o melhor porto, dotá-lo de infraestruturas e fazer publicidade agressiva.
Depois ... ligar as ilhas com transportes rápidos, quer de barco, quer de aviões em condições e número que as condições o justificassem.

O que é belo, é sempre digno de se ver.
Como não há dinheiro para obras públicas, (os gestores levam-no todo e quando não o levam, roubam-no e os bancos vão à falência na maior das impunidades), passa-se ao lado de oportunidades.
Talvez para o ano já haja cruzeiros ... quem sabe?

xistosa - (josé torres) disse...

Nadir Maria é uma dádiva do Blogger.
Utilizei o portátil dela e saiu o nome que não deveria ter saído.
Nem tem blog e tem o portátil para trabalhar.
Como não percebo nada disto, nem me vou preocupar mais.
Peço desculpa pelo incómodo.

Periquito disse...

O futuro Cais de Passageiros na Conceição, tem empreitada de 3 anos, que vai ser 4, para coincidir com os períodos eleitorais.
Lá para 2012 é que teremos esse novo cais a funcionar e mais 4 x 4 anos para as outras duas fazes do lado Sul.
Estão a ver? 12 anos, no mínimo.

Que a Democracia foi um bem precioso, creio que é inegável, agora a Autonomia só foi prejudicial cá para nós Faialenses.

Continuamos a ter um "Terreiro do Paço", em Lisboa e passámos a ter mais um em Ponta Delgada.

Enquanto isso os Faialenses que estão nos lugares de algum poder e decisão, assobiam para o lado e tratam de defender o tacho e o bolso.