Mais um fantástico "yacht" que nos visita,
saiba tudo sobre ele aqui.
foto - Núcleo Cultural da Horta
Gosto de ler, e uma das coisas que a blogosfera exige para quem quer publicar algo de jeito, é investigar, ler, pesquisar, etc. Em boa hora descobri este livro, pequeno no tamanho, mas enorme no conteúdo. Apesar de ainda estar a meio, apenas posso dizer que tenho orgulho em ser Faialense e muita mas mesmo muita admiração por quem antes de mim andou por cá.
Tanto se fala, uns bem, outros mal, da história desta terra, mas no entanto o que fica para a história é o reconhecimento de quem por cá passa, aquilo que escrevem sobre nós e a fama de sermos um povo acolhedor, que sabe receber como ninguém, principalmente quem navegou até cá, para visitar um dos sítios mais míticos na história da navegação à vela.
Sem querer, desvendar o conteúdo do livro, pois aconselho a quem gosta desta ilha, destas gentes e da sua história, a comprar e ler. Assim, aqui fica um pequeno texto escrito em 1956 por um Senhor chamado CARLETON MITCHELL.
"Às 9.30 da noite apanhámos a luz indefinida do Farol dos Capelinhos no Faial, cinco relâmpagos rápidos de 20 em 20 segundos perfurando as trevas. À meia noite estava quase pelo través e, com a primeira luz fraca do amanhecer, avançámos lenta e silenciosamente por trás do braço protector do molhe da Horta para aí lançarmos ferro.
Enquanto o dia clareava, sentei-me no convés e olhei à volta. Estava demasiado dominado pela beleza para necessitar dormir. Raramente vi algo tão teatralmente maravilhoso.
À volta da beira mar em curva as casas da cidade, com persianas fechadas, eram de cores pastel suaves, por detrás erguiam-se enrugados afloramentos vulcânicos, enquanto que por cima de campos verdes em terraços alongados faziam coroas os moinhos.
Por cima de tudo matutavam as montanhas culminantes do Faial e Pico, envoltas em nuvens sombrias cinzentas e prateadas, que, à medida que o sol subia, gradualmente se tornavam douradas e cor de rosa. O Canal do Faial perdeu a escuridão armazenada durante a noite e ficou azul escuro.
A minha primeira impressão do Faial não mudou. Para mim é um dos lugares mágicos deste mundo, simples, puro, um lugar de paz e beleza."
Carleton Mitchell
Nota final - um excelente trabalho de recolha e selecção do Sr. João Carlos Fraga
Coloca na Web, em conjunto com a Google mais de 10 milhões de fotos.
View of Atlantic and Azores (Horta) from transatlantic
Pan Am Clipper - Bernard Hoffman - 1940
The US Clipper in Horta Bay - Bernard Hoffman - 1940
Chegou no Domingo, está agora em fase de testes.
A grua que vai ser utilizada para já, na primeira fase
do reordenamento do Porto da Horta.
É realmente impressionante.
Acabámos de passar por mais uma campanha política, o PORTO DA HORTA, andou na boca de todos os partidos políticos, que por aqui fizeram campanha, promessas vãs?
Só mesmo o tempo, o dirá...
Mas afinal, qual a história deste porto, o que o distingue dos outros, toda a vida fomos criticados por viver á custa de "aventureiros", da marina, etc...
Mas porque razão, agora todos querem Marinas, todos querem ser a porta de entrada do iatismo internacional?
Será que tanta critica, afinal era dor de cotovelo?
Vou transcrever algumas frases, escritas em meados do século passado, para compreendermos o porquê desta Baía, ter sido o que foi, e as suas potencialidades num futuro...
"Um grande elemento de prosperidade da ilha do Faial, aquêle que vem à cabeça do rol, foi sempre o comércio marítimo, o comércio do seu pôrto - a baía da Horta. Para isso Deus a bafejou. Cada região tem o seu motivo de vitalidade ... o Faial teve o merecimento do seu pôrto e da sua situação geográfica a torná-lo ponto de importância para as necessidades das rotas marítimas e outras. Aproveitando, pois, êsse predicado natural não faz e nunca fêz mais que aquilo que deve, como outros... Se o não fizesse seria um crime - uma parvoíce."
Com a chegada em 1809 do cônsul Americano John Dabney, o Porto da Horta começou a ser escala obrigatória, para cargas, descargas e reparações, tudo devido ao "olho" para o negócio desta personagem. No Faial, existiu a nível de reparações navais, operários especializados (calafates) do melhor que existia no País.
As épocas áureas, foram a da laranja e do vinho, passando também pelas frotas baleeiras e como base naval, para se ter uma ideia, aqui ficam alguns números:
Ano de 1856 - 327 navios
Ano de 1877 - 493 navios
Ano de 1878 - 500 navios
Ano de 1919 - 453 navios
Ano de 1920 - 576 navios
Apesar dos altos e baixos, não há nenhum porto nos Açores, que tenha a história desta Baía, será mesmo bairrismo nosso, ou cegueira de governante?